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| The Absinthe Drinker, 1908 |
Virtudes e pecados, dor e prazer, temas banais. O seu e o seu contrário. Depois veremos melhor.
sexta-feira, 13 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
A nossa Virgina Woolf prefere a vida à literatura. Ainda bem
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| Nude Study (Reading), Kenyon Cox |
«Deslumbres bovinos [...] E há, enfim, uma casta à parte. São os “deslumbrados da
literatura". Como se a literatura fosse a coisa mais importante. Como se
eles fossem os eleitos. Parece que têm orgasmos quando falam de livros.»
Ana procede por outra via. Gosta de ler em recato[...].
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Ana Cássia Rebelo in Público|Ípsilon, entrevista de Hugo Pinto Santos, 13.Fev.2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
Les racines étaient innombrables et infinies dans leur variété et leur beauté et quelques unes étaient profondément enfoncées dans l'âme humaine - une aspiration incessante et tourmentée orientée en haut et en avant - un besoin d'infini, une soif, un pressentiment d'ailleurs, une attente illimitée
Enfia o cano do revólver Smith & Wesson de calibre 38 na boca e prime o gatilho. A bala não trespassa o crânio. Tinha sessenta e seis anos e dois prémios Goncourt. Estamos em 1980. Nem dezassete meses havia desde que a mulher americana do segundo casamento se entregara à gadanha com barbitúricos e álcool. Cuidadoso, deixa uma nota: «Aucun rapport avec Jean Seberg.»
Herói da Resistência Francesa, escritor, diplomata, fumador inveterado e sedutor displicente*, quando traído pela mulher desafia o amante, Clint Eastwood, para um duelo de pistola. O cowboy americano recusa. Era assim Romain Gary.
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| Jean Seberg e Romain Gary em Veneza |
«Catástrofe. Não vai acontecer. Nunca. Imagino que seja coisa atroz, mas, como sou incapaz de envelhecer, fiz um pacto com o senhor lá de cima, vocês conhecem? Um pacto nos termos do qual jamais ficarei velho.»No opúsculo de quarenta e três páginas, Vie et mort d'Émile Ajar,** publicado após a sua morte, regista:
«Escrevo estas linhas num momento em que o mundo, tal como gira neste último quarto de século, coloca a um escritor, cada vez com mais evidência, uma questão mortal para todas as formas de expressão artística: a da futilidade. Do que a literatura acreditou e quis ser durante tanto tempo — contribuição para o desenvolvimento do homem e o seu progresso — não resta nem sequer a ilusão lírica.»
E termina com a frase:
«Je me suis bien amusé. Au revoir et merci.»
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| Romain Gary, 1956 |
*«La seule chose qui m'intéresse, c'est la femme, je ne dis pas les femmes, attention, je dis la femme, la féminité.», programa radiofónico em 1980. À sua imagem de sedutor responde: «C'est une image totalement bidon. Je dirais même que je suis organiquement et psychologiquement incapable de séduire une femme».
**Esclarecendo a mistificação do pseudónimo com que ganha o segundo Goncourt.
***Vem tudo isto, o autor e o livro, porque tropeço no romance agora reeditado pela Sextante (2014 é o ano do centenário do nascimento de Romain Gary). São 472 p. e € 17,70. Não existe sinal de que a tradução de João Belchior Viegas tenha sido revista.
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