sábado, 5 de fevereiro de 2011

Robert Frost




The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveller, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I,—
I took the one less travelled by,
And that has made all the difference.
 
De: Mountain Interval, 1916

In Treatment

A Inês Pedrosa está certa, na literatusa, perdão na literatura lusa, não se escreve sobre sexo.* O exemplo à mão era estrangeiro e aqui se apresenta. Por favor não se choquem.



«O anão era casado com uma rapariga muito bonita. Quando ela era adolescente ficou com uma garrafa de Coca-Cola enfiada na rata e teve que ir a um médico para a tirar de lá. Como é habitual nas cidades pequenas, toda a gente ficou a saber, e a rapariga foi marginalizada, sobrando assim para o anão.  Ele acabou por ficar com o melhor cu da cidade.»
- Charles Bukowski (1920-1994), Correios, 2010, Antígona
*Para sossegar as leitoras e leitores (Boaventura Sousa Santos - não discriminação de género - diz ele) mais preocupados com a deriva ideológica desta publicação electrónica e que manifestam o seu pesar na minha caixa de correio, quero dizer que não se apoquentem, o meu interesse pela coisa sexual é puramente académico, literário. De qualquer modo agradeço o cuidado.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Inês Pedrosa, sexo e transgressão*

Falou de transgressão: em que é que quis transgredir com o romance Os íntimos?
Quis transgredir os limites demasiado sossegados e solenes que me parece ainda existirem na literatura portuguesa em relação, por exemplo, à expressão do sexo ou do erotismo. Isso estava muito claramente na minha cabeça. É uma coisa que me interessa. Ainda há pouco tempo se falou muito disso publicamente e o diagnóstico genericamente foi o de que os escritores portugueses escrevem mal sobre sexo.

É também essa a sua opinião?
O meu diagnóstico é de que os escritores portugueses fogem muito do assunto. E quando vão ao assunto vão com tanta metáfora! Quando estava n'O Independente, nos anos 80, fiz um texto precisamente sobre isso: o sexo na literatura portuguesa. Fui fazer um levantamento em romances da época e percebi que quando se chegava ao sexo as metáforas náuticas estavam por todo o lado. Parecia que o sexo era a aventura dos Descobrimentos: o meu mastro na tua concha, o meu ceptro no teu búzio ...

O problema da linguagem náutica é evocar muito o enjoo.
Realmente era um enjoo náutico. Já na altura fui buscar esse tema porque é um tema que me toca, se calhar, desde o primeiro livro que me marcou. Com a idade é que vou reparando nisso.


*Ler, Junho de 2010, p. 30

Sempre atentos à cronologia - Ano novo chinês - O ano do coelho

...

"Viver é que é." Eu prefiro a leitura.

Condição adicional

Nunca ninguém informa, que para o sucesso, talento e esforço não bastam, é necessário que outros falhem.

Meg White, The White Stripes, Seven Nation Army


Seven Nation Army é um grito de guerra, que me acompanha no leitor de ficheiros mp3 (ninguém imagina), mas essa farpa afiada transporta um pensamento gentil: não existe nada tão sexy como uma mulher bonita, que sorri a tocar bateria. Ela: Meg White. Não concebo o motivo.

Vídeo de Rihanna banido em 11 países - fotos "privadas" da moçoila que a imprensa nunca publicou, em exclusivo nacional

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Busca inglória

Não existe. O ponto G é um mito.
- Vaz Santos, Urologista, in Correio da Manhã

Jorge Luis Borges e a "Nova Gente"



Não consigo entender uma sociedade que começou a jogar xadrez e degenerou-se ao ponto de acabar a jogar futebol. 
- Jorge Luis Borges*
Por comentários deste calibre raramente compro biografias e evito sempre que posso, ou o aborrecimento, ou a curiosidade não contrariam, ler entrevistas de escritores.   

Não é fácil, posteriormente, descolar o autor dos sound bytes promocionais (não é o caso), da sua vida doméstica (também não), ou das suas opiniões sobre o mundo e a vida (que o é).

Sorte a de já possuir opinião sobre Borges, quando soube que recebeu Augusto Pinochet na sua casa da Suíça. Isto, num tempo em que já se sabia ao que ele tinha ido. Comentou mais tarde o cego, que ao ver o general, percebeu o quanto este era importante para o Chile, «mantinha a disciplina na nação». Por motivos semelhantes Heidegger desgostou-me profundamente. Um filósofo, que na adolescência me concedeu a ilusão de entender o Dasein

É lógico, elementar e evidente, que devemos separar o homem da sua obra - “Ninguém é um herói para o seu criado de quarto.” -, por isso mesmo fico-me pela obra e quanto pretendo saber "como vai a vida" de homens e mulheres leio a Nova Gente, no dentista.

Não sou criatura de muitos preconceitos, mas, os que fazem pactos com Belzebu, cheiram sempre a enxofre.

* Citado por Luís Freitas Lobo, in Ler, p. 40, Junho de 2010.

...

A compatibilidade dos homens com os microondas é directamente proporcional à sua incompatibilidade com os tachos.

Non sequitur

Aquela linda rapariga de formas voluptuosas não deseja contrair o matrimónio, tal coisa parece doença, como o vírus da gripe, não, ela pretende ingressar voluntariamente no cárcere doméstico.

Enzimas

Não fosse aquela mentalidade ganhadora... já o afirmei: ela não é gorda. Metabolicamente é uma vencedora.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vai uma, vão duas e vão três. Vendido ao número 666.

Breve, breve, o governo inicia o leilão de licenças para imprimir notas de euro, isto é; vai privatizar mais empresas e serviços do Estado.

Meia bola e força

Perdoamos ao sexo feminino todo aquele ódio aos desportos televisionados; resulta da sua ignorância olímpica.

Mad Men - Christina Hendricks

Aquilo que designam por "mamas grandes" é apenas uma amostra de superioridade peitoral.

Jean Paul Gaultier (Fleur du Mal) e Tzimtzum

Laura não abusa do perfume. Laura tem excesso de essência.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mundo dividido

O que outros viam nas mulheres, embriagados, eu via na Raquel Welch, sóbrio.


Yours truly

2011 - O ano de Serge Gainsbourg

A Laura refere constantemente que sou eu, o Serge Gainsbourg do século XXI. Não possuindo qualquer aptidão musical, nem tendo ao meu lado (ou frente, ou verso) nenhuma Jane Birkin, que pretende ela dizer com isto?

Com a excepção da Alexandra Solnado que está a tentar ganhar a vida

Se disser que os mortos falam comigo pertenço ao grupo restrito dos espiritistas e dão-me um programa na TVI, se disser que Deus sussurra ao meu ouvido sou esquizofrénico.

...

Os aniversários vão-se acumulando. É mau? É, mas se considerarmos a alternativa ...

...

Tenho encontrado gente muito aborrecida, pergunto-lhes como vai a vida e eles contam-me.

A Birthday Poem

For every year of life we light
A candle on your cake
To mark the simple sort of progress
Anyone can make,
And then, to test your nerve or give
A proper view of death,
You're asked to blow each light, each year,
Out with your own breath.
- James Simmons, In the Wilderness and Other Poems, 1969

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Trocadilho barato: uma Ursula em duodeno de abdómen retraído

Recado ao Miguel Graça Moura

Os maestros devem providenciar à orquestra sinais claros, inconfundíveis, sobre o andamento  e não coreografias das Folies Bergère, para divertir a audiência.

Parlamento

A qualidade dos debates na Assembleia da República é elevada e os seus discursos reúnem, até este momento, o melhor conjunto de provas disponíveis sobre a vida depois da morte.

Mil e uma noites

Mubarak está actualmente para o Egipto, como o eunuco para o serralho: toda a responsabilidade, nenhum poder.

Ainda sobre a temperatura no Cairo


O poder dos ditadores subsiste, enquanto não despojarem os homens de tudo o que possuem; então, quando nada mais tiverem serão livres, e devem ser temidos.

As memórias do maestro Miguel Graça Moura sob a batuta de Pedro Mexia: uma moral com história

[...]
Depois de uma arenga intelectual, o maestro determina: «Tenta manter-te completamente descontraída. Os músculos do esfíncter são altamente elásticos e excitáveis, como aliás toda a região anal. Vou começar por saudar esta maravilhosa entrada.» E depois passam férias em Rabat. 
[...]
«A desmesura desta erecção pode causar-te dor», avisa o maestro, e ela confirma que o coiso é de facto «imponente». O coiso, aliás, tem petit nom «senhor embaixador». Belo cartão de visita. Eis um homem que entre duas pranchadas diz «George Steiner, ensaísta americano nascido em Paris em 1929». Ou: «Sabe-se pouco sobre a vida de Hieronymus Bosch [ ... ]. Terá nascido à volta de 1450 e morreu em 1516.» Não há facto cultural que não seja feito conversa de engate. Entre duas sem tirar, o maestro, momentaneamente refractário, discorre sobre Tintoretto, a descolonização, a arquitectura do Pompidou, Rachmaninov, Visconti, a história da valsa, a sexualidade em Roma e as diferenças entre taoísmo e confuncianismo. E depois, enquanto descansa de novo, retoma: «Regressemos
a Ingmar Bergman.» Rachida admite: «É muita areia para a minha camioneta». E para a nossa também.
[...] 
"As meninas têm direito a cartão de crédito para correrem lojas e museus, e depois, Galateias tontas, satisfazem o maestro."* 

Moral da história: MP acusa Miguel Graça Moura de gastar fundos públicos. Mas, ufa! Não é acusado de pagar por sexo (o mais próximo disso são charutos Cohiba). As memórias mantêm-se verdadeiras.

*Toda a recensão na revista Ler, Maio de 2010, aqui.

domingo, 30 de janeiro de 2011

...

Não obstante a enorme consciência social, todos vivem em casas tão grandes, quanto a hipoteca que podem pagar.

Sem escolha