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| John Stezaker |
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| Geoff Mcfetridge |
Virtudes e pecados, dor e prazer, temas banais. O seu e o seu contrário. Depois veremos melhor.
Também a escrita tumultuada, a cascadejar numa corrente de consciência que já foi nova há trezentos anos, repassada de lamúrias e «afectos», é susceptível de causar um desconfortável enfado. A escrita inventarial, por outro lado, coleccionadora de objectos e gestos, inimiga do prazer de ler, vai de par com outras que convidam ao desabafo: «Mas o que é que estou para aqui a fazer? O que é que me interessa isto?»Este homem não tem amigos no Facebook: é demasiado competente no discurso indirecto livre.
Se a palavra humildade não lhe agradar, apele antes ao seu «sentido das proporções» ou da «relatividade das coisas». Tenha sempre presente uma frase de Tchékov que é, a este respeito, lapidar: «A arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus.» pp. 20 e 21Ungido em modéstia, agilizo a passada. Estaco a pensar depois dos seguintes tropeços:
«Poucos sabem que o episódio da investida do D. Quixote contra os moinhos de vento ocupa menos duma página, numa edição com setecentas.» p. 61
«Não se assuste, leitor, com a evocação destes nomes. Parecem muito inabituais, mas são moeda corrente [...].» p. 99
«Estas alterações de sequência tomam a designação genérica de acronias, que convém não confundir com anacronismos.» p. 200E desisto, não enxergo bicho a que assente bem o nome.
O paternalismo autoral é uma qualidade que fica bem aos .