Virtudes e pecados, dor e prazer, temas banais. O seu e o seu contrário. Depois veremos melhor.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
O que os homens pensam e não dizem, mas todas as mulheres deviam saber
- TPM não é desculpa.
- Não somos todos pervertidos e muitos nem sabem o que kinky significa.
- Não interessa o que dizemos, nenhum homem quer ouvir, seja qual for a justificação, detalhes ou lamúrias sobre relações anteriores.
- Não precisamos de saber pormenores sobre a menstruação.
- Depilação? Se houver alguma coisa a rapar, decidimos nós, sem consulta, quando e onde. Sugestões nesta matéria são dispensáveis.
- Devem abster-se de informar quem são os actores e modelos com quem de bom grado dariam uma "cambalhota".
- Abraços muito apertados a outros homens não são do nosso agrado.
- Quando nos arrancam o coração e nos fazem engoli-lo, acabou. Não vamos ser amigos depois.
- A espontaneidade nas celebrações de aniversários, datas comemorativas e festividades em geral, é algo que não consta do nosso código genético. Seria simpático se uma sugestão aqui, outra ali, evitasse embaraços.
- Se um idiota as incomoda solucionem o problema ou peçam-nos directamente. Os pedidos camuflados marcam pontos negativos.
- Se receberem um elogio espontâneo aceitem-no e agradeçam. As falsas modéstias são irritantes.
- Quando estão erradas, nós sabemos, e mesmo assim fingimos o contrário: NÃO NOS ACUSEM DE SERMOS MAUS ACTORES.
- Sempre que "despejam o saco", convém uma pausa a cada cinco minutos. Precisamos de subir à superfície para respirar.
- SURPRESA - Os homens não podem fingir orgasmos, mas, podem e sabem simular um do top five, quando na realidade foi péssimo ou apenas regular.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
"Tenho ideia de que muita gente pensa que gosta muito de escrever."
[...]
Ai, tínhamos muito que dizer se pensarmos naqueles livros que vamos folheando nas livrarias e que nos deixam impressionados pela sua pobreza. Talvez isso possa ter que ver até com a ablação do contacto com algumas grandes obras literárias no nosso ensino. Tenho ideia de que muita gente pensa que gosta muito de escrever.
Antes de gostar muito de ler?
É muito interessante: nos workshops a que eu chamei de escrita narrativa e nunca de escrita criativa - porque acho que há coisas que se podem aprender mas que não se podem ensinar - havia muita gente que me dizia: «Eu gosto tanto de escrever." Para mim, para quem escrever é penoso, parece-me que há coisas mais interessantes na vida do que escrever. Uma pessoa pode ir ao cinema, pode ir ao teatro, pode entreter-se na Net. E pode ler. Pode ler.
Gosta mais de ler do que de escrever?
Sim. Quer dizer, não posso dizer que não gosto de escrever. Às vezes há situações que estão a aparecer e há o prazer de vê-las comporem-se. É qualquer coisa de informe que começa a tomar forma. Isso é interessante e é de certo modo gratificante para quem está a escrever. Mas depois há também o duríssimo confronto com as palavras. Não exagero se lhe disser que praticamente todas as palavras de um livro - mesmo de um livro que aparece nos interstícios de outra coisa, como é o caso de A Arte de Morrer Longe - são verificadas.
Mário de Carvalho in Ler, Maio de 2010, p. 37
Ai, tínhamos muito que dizer se pensarmos naqueles livros que vamos folheando nas livrarias e que nos deixam impressionados pela sua pobreza. Talvez isso possa ter que ver até com a ablação do contacto com algumas grandes obras literárias no nosso ensino. Tenho ideia de que muita gente pensa que gosta muito de escrever.
Antes de gostar muito de ler?
É muito interessante: nos workshops a que eu chamei de escrita narrativa e nunca de escrita criativa - porque acho que há coisas que se podem aprender mas que não se podem ensinar - havia muita gente que me dizia: «Eu gosto tanto de escrever." Para mim, para quem escrever é penoso, parece-me que há coisas mais interessantes na vida do que escrever. Uma pessoa pode ir ao cinema, pode ir ao teatro, pode entreter-se na Net. E pode ler. Pode ler.
Gosta mais de ler do que de escrever?
Sim. Quer dizer, não posso dizer que não gosto de escrever. Às vezes há situações que estão a aparecer e há o prazer de vê-las comporem-se. É qualquer coisa de informe que começa a tomar forma. Isso é interessante e é de certo modo gratificante para quem está a escrever. Mas depois há também o duríssimo confronto com as palavras. Não exagero se lhe disser que praticamente todas as palavras de um livro - mesmo de um livro que aparece nos interstícios de outra coisa, como é o caso de A Arte de Morrer Longe - são verificadas.
Mário de Carvalho in Ler, Maio de 2010, p. 37
Augusto Gil (1873-1929)
BALADA DA NEVE
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.
Catulo
Odi et amo. Quare id faciam fortasse requiris.
Nescio, sed fieri sentio, et excrucior.
I hate and I love. Perhaps you ask why I do this.
I know not, but I feel that it is happening, and am tormented greatly.
Odeio e amo. Porquê, talvez perguntes.
- Não sei. Sinto acontecer e crucifico-me.*
_______________________
*Ou: Acontece e é excruciante (a dor). Versão também provavelmente má.
Winter's Bone (Despojos de Inverno)
Não é um filme bonito de se ver. Não tem glamour. Está isento de sex appeal. Pipocas interditas. Não questiona amor nem amizade, apenas o sangue. No ecrã, gente suja, drogada, desleixada, deprimida, violenta e pobre. Hillbillies das Ozarks e os seus rituais. Códigos primevos de honra e vingança. E sangue, laços de sangue que resistem a circunstâncias extremas. Uma diástole da família oposta à sístole do vício e do medo. É um filme extraordinário à espera de ser visto.
Nós por cá tivemos o "amparo de mãe", o filme por lá, tem um outro. Quem conseguir sentir, mais do que entender, ainda tem esperança de ser gente.
A ver, de preferência, com alguém que estimem ao lado. Se não os consegui persuadir, lamento.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Resiliência
Quando o incentivavam com histórias de sucesso, marcadas pela persistência, pela perseverança, ele, pacientemente, explicava que a persistência era um martelo e já não tinha cabeça em dois dedos.
Motivação
"A determinação* é o toque de alvorada da vontade humana."
- Bophal Gupta, Thoughts of a Lifetime, 2010, Oxford University Press*Para mim é mousse de chocolate preto.
Empreendedorismo e proactividade
«A nossa vontade deve alcançar mais longe que o nosso braço.»*
*Eu já ficava contente se, em sentado, chegasse com os pés ao chão.
- Bophal Gupta, Thoughts of a Lifetime, 2010, Oxford University Press
*Eu já ficava contente se, em sentado, chegasse com os pés ao chão.
Também eu posso ser orador convidado sobre motivação e aquelas merdas de construção e liderança de equipas, e outras petas, vendidas em tetra pak pelas empresas de recrutamento e mentiras do género, com a vantagem de ser mais ladies friendly, barato, e aceitar pagamento em espécie quando a moeda de troca for um cabaz de fruta
"Se começas a temer o fim, é natural que fiques pelo caminho."
- Bophal Gupta, Thoughts of a Lifetime, 2010, Oxford University Press
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Descoberta
Quinze séculos de pintura, produziram menos obras-primas que cinquenta anos de maquilhagem.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
...
Hoje Dia dos Namorados o conselho é: não ofereçam nada. "Uma conquista sem risco é um triunfo sem glória."
Dúvida metódica
O Dia dos Namorados, se forem oferecidas muitas flores, chocolates e corações de gelatina, serve de reset para mês e meio?
Quer sejamos velhos e calvos, quer jovens de pernas raladas
O orgasmo não é mágico nem misterioso. O orgasmo é a consequência natural da aplicação de um conjunto reduzido de técnicas básicas de compressão, tracção e deslocação.
No caso feminino o assunto está em estudo na Escola de Hogwarts.
No caso feminino o assunto está em estudo na Escola de Hogwarts.
Speed dating
Primeiro ela disse com voz monocórdica: "sou uma boa ouvinte e nunca interrompo ninguém que esteja no uso da palavra"; depois calou-se até final. O homem jurou não mais recorrer à agência de encontros. Era a terceira autista que lhe enviavam.
Charles Baudelaire
"A sexualidade é o lirismo das massas."
Assim a modos que uma réplica não programada de um génio devasso para os que repetem constantemente ser a religião o ópio do povo.
Assim a modos que uma réplica não programada de um génio devasso para os que repetem constantemente ser a religião o ópio do povo.
Santo homem
Chamavam-lhe "O Valeriana". Era tiro e queda diziam, mulher que se deitasse com ele, adormecia em dois minutos.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Morreu Gérard Castello-Lopes e isso entristece-me
Portimão, 1957
Uma contradição, um fotógrafo tímido. Exigente com o resultado do seu trabalho, em excesso, como só podia ser quem tinha como referências Henri Cartier-Bresson e Ansel Adams. Isso e o recato de que dava mostras, a dificuldade de invadir privacidades, em alguém especialmente talhado para a fotografia de rua, limitou a extensão da obra, não a qualidade. Terá sido um dos três ou quatro gigantes da fotografia portuguesa do século XX.
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