sábado, 18 de setembro de 2010

Salomé

[...] Porque não me olhas, Iocanaan? Os teus olhos, que eram terríveis, cheios de ódio e escárnio, estão fechados agora. Porque estão fechados? Abre-os! Ergue as pálpebras, Iocanaan! Porque não me olhas? Estás com medo de mim, Iocanaan, e por isso não me olhas? E a tua língua, que era como uma serpente vermelha expelindo veneno, não se move mais, nada diz agora, Iocanaan, aquela víbora vermelha que cuspia veneno contra mim? É estranho, não é? Como é que a víbora vermelha já não se move?... Consideraste-me ninguém, Iocanaan. Desprezaste-me. Pronunciaste palavras ignóbeis contra mim. Trataste-me como uma meretriz, uma dissoluta, a mim, Salomé, filha de Herodíade, princesa da Judéia! Bem, Iocanaan, eu estou viva; mas tu estás morto e a tua cabeça pertence-me [...] 

Salomé (1889) Óleo em tela de Leon Herbo 




 

Lu Cong outra vez

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tenho uma desordem de personalidade múltipla e eu também.
Não há nada de errado em ser-se medíocre, desde que se seja bom nisso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quinta-feira nonsense

Se a sexta-feira é véspera de fim-de-semana e as caricias são preliminares de sexo, na quinta-feira arruma-se a mala e despe-se a roupa?

Sorry, I mean it.

Façam-me o favor de ficarem esclarecidos, eu nunca, nunca peço desculpa. Lamento mesmo muito, mas é assim.

Born to run

Sobre a minha vida tenho uma única certeza: nasci muito novo.

Emoções

O culpado foi o Quarteto.



«Salas com o tamanho de cozinhas e distância entre filas bastante para colocar joelhos em boca. Exibia filmes rotulados essenciais para a formação pessoal. Não eram divertidos, não ensinavam, e se faziam pensar era porque nada sucedia em sequências de largos minutos.

Quando vi Godard colocar, em cima de um ringue de boxe, uma parelha de homem e cavalo, comecei a desconfiar. As críticas cinematográficas do Expresso incensavam os desmandos do cineasta neurótico. Eu, jovem e imberbe, desejoso de mascarar os sintomas de excesso de testosterona, devorava imagens na esperança de melhorar as ligações sinápticas, e assim, o meu intelecto abafasse as hormonas.

Mas, as intelectualmente carentes e medianamente atraentes, afluíam solitárias àquele local de peregrinação neuronal. Lá me ia sacrificando na esperança de que, num espasmo intelectual de prazer, ao observarem os grandes planos do Bergman, alguma delas me agarrasse o joelho. Ou, então, Kama Sutra da cultura cinéfila, no intervalo, durante o Casanova de Fellini me fizessem perguntas sobre a performance do Donald Sutherland e as exigências físicas do papel.

Infelizmente, o máximo que consegui, ao cabo de meses de frequência, foi emprestar o suplemento cultural do citado jornal, e o receber de volta bem amarrotado. Foi um sinal. Nunca mais lá voltei.»

Wormholes

Não consigo encontrar o carro, isto é o resultado de alternar entre universos para duplicar as hipóteses de ter sexo.

You again Mr. Freud?

O meu analista este mês cobrou-me quatro sessões e eu apenas estive em duas. Eximiu-se da responsabilidade dizendo: «Já o informei do seu problema; a dupla personalidade e ainda falta muito trabalho até as distinguir».

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Não fosse eu esquiador e diria que este blogue está a deslizar para a asneira.
"Write drunk; edit sober." -Ernest Hemingway

Do you speak english?

Numa destas últimas entrevistas de selecção a que fui, o miúdo dos RH, todo pipi, de gravatinha, gel no cabelo e casaco dois tamanhos abaixo, para apertar na cintura, perguntou-me se eu tinha capacidades multitasking, assim mesmo, em inglês, eu respondi-lhe que era capaz de, no screen, em várias windows em simultâneo, olhar variados filmes hardcore, e executar um handjob, sem sujar o keyboard. Apesar do gel o cabelo dele minguou ali mesmo. Não percebi o motivo, afinal, também respondi com inglês.

Dupla personalidade

Sempre que o meu analista refere a minha dupla personalidade concordo, mas digo-lhe: «Se não pode curar, ao menos veja se põe o outro a fazer limpezas. Dispenso a mulher-a-dias e pago mais sessões.» Tudo indica que pensa, estar eu, a fazer humor.

Mr. Freud? F word for you!

Toda a minha vida tive super-poderes, até começar na psicanálise e o cabrão do analista ficar com todos eles.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pictures


Leave Me from Daros Films on Vimeo.
Dizia-lhe a Laura: «Queridinha, não é o excesso de blush que te dá esse ar de prostituta.»
Vou seguir a moral vigente e receitar-me tempo, abstinência e solidão.

BCE

Acordei sentindo que não valia nada, depois encontrei um euro na cama.

We don't need no education

As minhas amizades são poucas, mas, não se resumem à Laura. Um dos meus melhores amigos, o Hugo, é um rapaz inteligente, no entanto, não quis estudar mais que o 12.º ano. Um dia, por considerar um desperdício aquela cabeça ter-se bastado com tão pouco, perguntei-lhe directamente porquê. A resposta veio curta e incisiva: «Embora nunca tenha frequentado a universidade, já me embebedei e já desmaiei no meu vomitado em várias semanas académicas, as habilitações são, portanto, as mesmas.»

Jelly fish

Anos atrás disse-me que precisava de tempo, para reflectir sobre a nossa relação; entretanto casou-se, teve filhos e eu continuo sem saber nada.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

As neves do Kilimamjaro

Desejava possuir talento para alpinista social, mas, não consigo evitar escorregar, sempre que penso na cara do João Garcia.

Summer mood

As partes transparentes dos vestidos femininos, são a porção do tecido social que não hostilizo.

Quando o sol não aquece este quintal

Finalmente terminei o curso de hipnotismo. Agora já posso utilizar os conhecimentos adquiridos, em frente ao espelho, e assim ficar de bom humor.

Busy days

Sempre que é a minha vez de ter sorte devo estar na casa-de-banho. 

domingo, 12 de setembro de 2010

Joseph Brodsky

A Song


I wish you were here, dear, I wish you were here.
I wish you sat on the sofa
and I sat near.
the handkerchief could be yours,
the tear could be mine, chin-bound.
Though it could be, of course,
the other way around.


I wish you were here, dear,
I wish you were here.
I wish we were in my car,
and you'd shift the gear.
we'd find ourselves elsewhere,
on an unknown shore.
Or else we'd repair
To where we've been before.


I wish you were here, dear,
I wish you were here.
I wish I knew no astronomy
when stars appear,
when the moon skims the water
that sighs and shifts in its slumber.
I wish it were still a quarter
to dial your number.


I wish you were here, dear,
in this hemisphere,
as I sit on the porch
sipping a beer.
It's evening, the sun is setting;
boys shout and gulls are crying.
What's the point of forgetting
If it's followed by dying?

Life in the fast lane

A minha vida está finalmente a progredir. A fila indiana de garrafas de cerveja vazias, aumenta em ritmo constante.