quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Do arquivo morto. Tenho agora de escrever sobre Picasso, enquanto você, musa, se despe no meu quarto


Eventualmente (acontece a todas uma vez na vida, uma vez por ano ou de quando em vez) perdes o que amas, desejas, ou consideras teu (algo, alguém, o teu caminho, seja o que for: o quid não é importante). E ficas prostrada, chorando, pontapeando e esmurrando o soalho. É o que fazem as crianças adultas com idade superior a vinte anos. Mais tarde, não importa quanto tempo depois, ainda estás deitada no chão, esmurrando o soalho, chorando e a pensar: «Eu estou deitada no chão, esmurrando o soalho, chorando.» O ridículo da situação que se apresenta é este: já sabias, com o instinto apurado das velhas do Sião, que tudo iria suceder exactamente assim. Pior, enquanto estás deitada no chão notas, com grande acuidade, mesmo que a isso os olhos não ajudem, que a união entre o rodapé e a parede está mal pintada. E o teu choro redobra.
 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

...


«Der Tod ist das romantisierende Prinzip unseres Lebens. Der Tod ist—das Leben. Durch den Tod wird das Leben verstärkt.»
— Novalis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Há um tempo perdido em mim. Lá fora é mais tarde



Wings of Desire (Der Himmel über Berlin), Wim Wenders, 1987. Na foto, Bruno Ganz


A intenção é leal e honrada, como a do cangalheiro que despeja o corpo na cova, mas não é verdade. Não é sempre verdade ou não é verdade todos os dias. Há um vazio que nos acompanha e não se esgota: aumenta ou diminui, avoluma-se ou mirra. A dimensão varia com o tempo, pode até ficar imperceptível, e no entanto perdura, como a doença crónica, mas não mortal, que o paciente incorpora até não mais recordar ter vivido de outro modo. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Endless de Moli Studio



«ENDLESS is a story about seeking and not finding.
It's the mechanized routine.
It's to get up, go to work, eat, fall in love, buy, throw, fall out of love, accept, sleep, wake up.
ENDLESS is a story about seeking and (not) finding.»




Direcção e animação: molistudio
 Música: Anybody There

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Para isso existe a fotografia, para nos aliviar o fardo


«L’amoureux qui n’oublie pas quelquefois meurt par exce's, fatigue et tension de mémoire (tel Werther).»
— Roland Barthes, Fragments d’un discours amoureux, 1977

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Fiona Roberts, Intimate Vestiges



...


Pessoas que são fichas ideográficas na memória que é minha, outras, gavetas inteiras de arquivos íntimos.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Do arquivo morto. Abandonar toda a memória, fixar residência no aroma da tua pele


Teu lar
 Meu corpo
Vem hospedar
Fazer-me gostar 
Perder o tino
Cair menino
E gritar!
Logo,
(dilatado suspiro)
Gozar o ócio,
A calmaria.
Não te movas,
Deixa-te estar
Quando chegar
A brisa que empurre.
Devagar!


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Projecto díptico vertical #200


Fotografia conceptual
Apenas sono



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

...


(Sabes, o nosso Sol ainda é uma estrela jovem, isso explica porque não sai à noite e deixa tudo à Lua.)

Dicionário ideográfico. Ambição


nome feminino 
 
Aspiração veemente, particularmente visível em campanhas eleitorais, na lapela e nos apaniguados, revela-se tanto maior quanto menos o candidato sabe o que diz, o que faz, o que quer, ou para onde vai.

Ignácio Mândrio, mexe a lombeira



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

sábado, 23 de janeiro de 2016

Fauno




Sou aquele a respeito de quem a vossa mãe aconselha prudência, agora vão, e tragam-mas.
 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016


Paciência, és tu? Volta mais tarde, agora não tenho tempo.

Projecto díptico vertical #198



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Dicionário ideográfico. Ironia

nome feminino
 
Quando o verbo copulativo não exprime evento, acção ou processo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Olha-se ao espelho e vê como está, não o que é


© Kersti K

O meu fraco entendimento da mentalidade feminina


tem a sua origem no facto de a concentração se dispersar quando não estou sentado anatomicamente.



sábado, 16 de janeiro de 2016

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016


A minha paciência tem rugas.

Bull



sábado, 9 de janeiro de 2016

Tríptico vertical #16


Paul Outerbridge, 1938, Anúncio publicitário

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Projecto díptico vertical #197



O Corpo Exige


Presto distraída atenção ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo logo suas ordens, mas
cedo sempre.

Me achego a ele e indago:
-O que queres? Ah, é isso? Então, concedo.
Sempre que eu resisti
um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia, ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos
que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele sabe,
e sabe antes de mim, e nele
eu sei dobrado, sou um-e-dois
como os dois cortes de um sabre.
—  Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

domingo, 3 de janeiro de 2016

Do arquivo morto. E pensa que ama, leu Stendhal e sofre de ansiedade. Um herói moderno. Cartão de Cidadão



Barão, descendente da velha e arruinada aristocracia rural, é um super-herói moderno que abomina contemplar a calçada portuguesa esventrada por stilettos. Regressa à vida depois de voluntariamente conservado em âmbar para fugir aos credores. 

Super-poderes
Mata ilusões com frases. Identifica as vodkas pela cor. Sabe sempre quando uma mulher pinta o cabelo, tem implantes de silicone e injecta colagénio ou gordura animal. Liberta feromonas com odor a anis estrelado (Illicium verum). 
Armas
Calções de ganga sem algibeiras, sandálias com meias, pulseiras de contas, camisa havaiana made in China e anel de ouro com brasão - que usa no dedo mindinho. 
Missão
Combater a dor: a "dor de cotovelo", a "dor de corno" e o "não que dói". 
Política 
Fruto de leituras adolescidas (José Vilhena e Pitigrilli) e um tio anarquista (que o levou pela primeira vez às espanholas a Badajoz) prefere a má-língua com sotaque à esquerda. Não discrimina direitolas quando arrimam um bom par de argumentos. 
Meios de transporte
Desloca-se de skateboard ou patins em linha. Não gosta de bicicletas porque tem uma teoria sobre a relação entre o selim e a impotência masculina e outra sobre a lycra e a masculinidade. 
Outros
Estoirou a herança antes dos 25 e define-se pela negativa: não se encontrou, não gosta de gajas magras, não gosta de yoga, e não pratica meditação sem fio dental. Faz uma barrela todas as semanas e fica confuso quando vê os filhos darem ordens aos pais. Não discrimina entre amigos e inimigos: trata todos por "meu ganda boi". É popular na faixa dos 16 aos 69. Desdenha perfumes e cintos. Semeia a discórdia para ficar a ver. Faz asneiras e depois pergunta se pode. A sua masculinidade desconhece limites ou diminutivos e convive bem com espaços apertados. As mulheres veem nele o Ryan Gosling, os homens baixam a cabeça e investem. De modo a liquidar as contas da massagista desbarata talento em caves escuras e húmidas fazendo castings de aspirantes a actrizes do cinema para adultos.
Bula 
Causa habituação. Não exceder a dose recomendada. Efeitos secundários no sexo feminino: enrubescimento facial e intumescimento das zonas erógenas. Não tem influência na condução de veículos e utilização de máquinas desde que se mantenham os olhos na estrada e as mãos no volante.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Com a diferença que eu prefiro bebidas destiladas


«My beer-drunk soul is sadder than all the dead Christmas trees of the world.»
— Charles Bukowski

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Andrew Stark


New Years Eve, Circular Quay, 2003

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Guy Le Querrec


New Year’s Eve, 15th arrondissement, Paris, 1979

domingo, 27 de dezembro de 2015