quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Dicionário ideográfico. Ironia

nome feminino
 
Quando o verbo copulativo não exprime evento, acção ou processo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Olha-se ao espelho e vê como está, não o que é


© Kersti K

O meu fraco entendimento da mentalidade feminina


tem a sua origem no facto de a concentração se dispersar quando não estou sentado anatomicamente.



sábado, 16 de janeiro de 2016

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016


A minha paciência tem rugas.

Bull



sábado, 9 de janeiro de 2016

Tríptico vertical #16


Paul Outerbridge, 1938, Anúncio publicitário

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Projecto díptico vertical #197



O Corpo Exige


Presto distraída atenção ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo logo suas ordens, mas
cedo sempre.

Me achego a ele e indago:
-O que queres? Ah, é isso? Então, concedo.
Sempre que eu resisti
um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia, ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos
que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele sabe,
e sabe antes de mim, e nele
eu sei dobrado, sou um-e-dois
como os dois cortes de um sabre.
—  Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

domingo, 3 de janeiro de 2016

Do arquivo morto. E pensa que ama, leu Stendhal e sofre de ansiedade. Um herói moderno. Cartão de Cidadão



Barão, descendente da velha e arruinada aristocracia rural, é um super-herói moderno que abomina contemplar a calçada portuguesa esventrada por stilettos. Regressa à vida depois de voluntariamente conservado em âmbar para fugir aos credores. 

Super-poderes
Mata ilusões com frases. Identifica as vodkas pela cor. Sabe sempre quando uma mulher pinta o cabelo, tem implantes de silicone e injecta colagénio ou gordura animal. Liberta feromonas com odor a anis estrelado (Illicium verum). 
Armas
Calções de ganga sem algibeiras, sandálias com meias, pulseiras de contas, camisa havaiana made in China e anel de ouro com brasão - que usa no dedo mindinho. 
Missão
Combater a dor: a "dor de cotovelo", a "dor de corno" e o "não que dói". 
Política 
Fruto de leituras adolescidas (José Vilhena e Pitigrilli) e um tio anarquista (que o levou pela primeira vez às espanholas a Badajoz) prefere a má-língua com sotaque à esquerda. Não discrimina direitolas quando arrimam um bom par de argumentos. 
Meios de transporte
Desloca-se de skateboard ou patins em linha. Não gosta de bicicletas porque tem uma teoria sobre a relação entre o selim e a impotência masculina e outra sobre a lycra e a masculinidade. 
Outros
Estoirou a herança antes dos 25 e define-se pela negativa: não se encontrou, não gosta de gajas magras, não gosta de yoga, e não pratica meditação sem fio dental. Faz uma barrela todas as semanas e fica confuso quando vê os filhos darem ordens aos pais. Não discrimina entre amigos e inimigos: trata todos por "meu ganda boi". É popular na faixa dos 16 aos 69. Desdenha perfumes e cintos. Semeia a discórdia para ficar a ver. Faz asneiras e depois pergunta se pode. A sua masculinidade desconhece limites ou diminutivos e convive bem com espaços apertados. As mulheres veem nele o Ryan Gosling, os homens baixam a cabeça e investem. De modo a liquidar as contas da massagista desbarata talento em caves escuras e húmidas fazendo castings de aspirantes a actrizes do cinema para adultos.
Bula 
Causa habituação. Não exceder a dose recomendada. Efeitos secundários no sexo feminino: enrubescimento facial e intumescimento das zonas erógenas. Não tem influência na condução de veículos e utilização de máquinas desde que se mantenham os olhos na estrada e as mãos no volante.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Com a diferença que eu prefiro bebidas destiladas


«My beer-drunk soul is sadder than all the dead Christmas trees of the world.»
— Charles Bukowski

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Andrew Stark


New Years Eve, Circular Quay, 2003

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Guy Le Querrec


New Year’s Eve, 15th arrondissement, Paris, 1979

domingo, 27 de dezembro de 2015

sábado, 26 de dezembro de 2015

Holidays


    The holiest of all holidays are those 
    Kept by ourselves in silence and apart;
    The secret anniversaries of the heart
,
    [...]

— Henry Wadsworth Longfellow, Holidays

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Que se faça saber: é Natal outra vez!


Ana Beatriz Barros, imagem de Ellen von Unwerth

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O casal perfeito tem sanção penal


Moonbabies

Wizards on the Beach


domingo, 20 de dezembro de 2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

Projecto díptico vertical #191


Ed Ruscha, 99% Angel, 1% Devil, 1983

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

«[...] and making art... just being happy.», she sad. Her famous last words (In Da Video). That's something I know nothing about — art — but if I did, I would say it's a chef-d'œuvre. Pretty much





«[...]Fame equals power. I'm a good liar when I have to be... but... I hate having to... put anything on for other people. I think that's why people see me as a bitch. What would I do for fame? Hmmm...  I don't wanna say I'd do anything. Hmmm... anything that I felt didn't deteriorate who I am inside, aside from that I'd pretty much... do anything.» 

Em resumo: não ingere metal derretido —  prejudica o seu inner self.

Educação sentimental



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Lust for booze



Dicionário ideográfico. Desejo


nome masculino

Querer que concebe vários graus de inconseguimento.

sinónimos: vontade, apetite, concupiscência, atracção física, libido

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

...


Com tempo inventaremos uma nova linguagem. Talvez onomatopeias sexuais.

Iconoclasta (e herege)


Satoshi Saikusa

«Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede como um pequeno fogo pode incendiar extensa floresta!»

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Julia Randall


Untitled

...


Ela não é stalker, eu é que já esqueci como é ter alguém que se preocupa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

domingo, 29 de novembro de 2015

Quando a raiva inunda o peito, guarda na língua os avisos do ladrar insolente


Daniela Montoya por Chris Heads para GQ Itália, Setembro, 2009

...


IL Y AVAIT DE LA TERRE EN EUX, et
ils creusaient. 


Ils creusaient, creusaient, ainsi
passa leur jour, leur nuit. Ils ne louaient pas Dieu
qui – entendaient-ils – voulait tout ça,
qui – entendaient-ils – savait tout ça. 


Ils creusaient, et n’entendaient plus rien ;
ils ne devinrent pas sages, n’inventèrent pas de chanson,
n’imaginèrent aucune sorte de langue.
Ils creusaient. 


Il vint un calme, il vint aussi une tempête,
vinrent toutes les mers.
Je creuse, tu creuses, il creuse aussi le ver,
et ce qui chante là-bas dit : ils creusent. 


O un, o nul, o personne, o toi:
où ça menait, si vers nulle part?
O tu creuses et je creuse, je me creuse jusqu’à toi –
à notre doigts l’anneau s’éveille.

— Paul Celan, Pavot et mémoire, tradução do alemão de Valérie Briet, 1987